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desobjeto

performance/instalação, 2009

São Paulo: 2009
Orientadora: Profa. Dra. Juliana Moraes
Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado) – Bacharelado em Artes Visuais: Gravura, Pintura e Escultura do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Clique aqui e acesse o PDF do TCC.

Registro realizado pelo fotógrafo Guilherme Minoti, que acompanhou a artista durante 2 meses.

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(...) Trata-se de uma sala que vai sendo ocupada por livros empilhados e amontoados; minhas mãos consumindo os livros, devorando-os. A sala se transformando, os livros vão se transformando. Este processo varia em função do espaço de que disponho para a realização do trabalho.

Neste projeto que realizo eu me desfaço do livro que informa, para transformá-lo em textura, em camadas, para transformá-lo em minhas ações. Retirando, cavando, esburacando, introduzindo marcas e acumulações que se constituem, ao final, como fragmentos. Silveira diz que 

 

Ter o livro, sim, lê-lo também, e sobretudo, ver virar e gerar as suas página. Comê-las. É preciso construí-lo como objeto de arte. Libertar-se não apenas do verso, mas da própria regra da página, sim ou não? À arte cabe essa liberdade, mesmo se melancólica. (SILVEIRA, 2001: 29)

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Faço este movimento. Um livro que aos poucos deixa de ser livro, como ocorre com o pente no meio do quintal que o menino do poema de Manoel de Barros viu. Evidencio o lado de dentro do livro pondo-o para fora, eu 'leio' o livro retirando suas palavras e linhas. Pois para mim não basta desenhar no livro, confundindo a escrita com imagens, não basta re-costurar sua capa ou retirá-la do livro. É preciso alcançar cada parte do livro, cada camada/dimensão que as folhas encobrem. É preciso velar as folha e assim, atravessar o livro. O livro continua tendo sua forma, porém já não serve para informar, ele perde sua personalidade, seus atributos. O gesto de escavar, que explicita o desaparecimento do sujeito (autor) da escrita, evidencia o possível leitor. Uso a faca e vou escarificando os livros, criando um desdobramento. A superfície do livro se encontra com o espaço em torno.

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São mãos olhos, como diz Lygia Clark, que lêem o livro o escarificando. Mais do

que meu corpo inteiro, eu uso as mãos para cavoucar os livros. Mãos, estas, que apresentam um mundo inventado. Mãos que vivenciam, trocam e se relacionam com os livros e com o espaço, "mãos que se desdobra[ra]m pelo avesso (...), na gastura da procura, no ‘o fazer’, no

‘o destruir’". (CLARK, 1997:117).

No dia 19 de novembro de 2009, o projeto sofreu uma transformação: funcionários limparam o trabalho, pensando que era lixo. Faltavam apenas três dias para a apresentação do projeto “desobjeto” e, em função disso, a artista escreveu um texto que intitulou “morte do livro”, no qual descreve o acontecimento. O texto foi exposto, juntamente, com os materiais que ela utilizava no processo (faca, máscara, cola branca, pote de nanquim e pincel) e as fotografias que o fotógrafo Guilherme Minoti tirou registrando 2 meses do processo. 

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