sem título

 

há muitas mulheres escrevendo, mas há poucas sendo publicadas. então vamos tentar os argumentos babacas: "é uma questão de qualidade, há mais livros bons escritos por homens". essa é a verdade do mercado editorial. e não apenas porque eventualmente sejam homens a fazer a seleção do que é bom, mas porque o modelo macho-branco-ocidental-cretino é o modelo do mercado, que se impõe sobre quem seleciona, quem compra, quem vende, quem lê, quem escreve, quem edita, e de que maneira tudo isso é feito. as mulheres que escrevem estão por aí, nas cidades grandes e pequenas. elas trabalham na sua casa, constroem casas. te servem na lanchonete e nos restaurantes ou cozinham a comida que você come. são cozinheiras, copeiras, chefs. elas costuram a roupa que você veste ou a desenham, gerenciam empresas ou são recepcionistas naquela onde você trabalha. elas te atendem nos bancos, nas farmácias, no salão de beleza, na padaria. são médicas ou enfermeiras ou cirurgiãs ou manicures ou cabelereiras. são químicas no laboratório que produz o analgésico que você toma. são cobradoras de ônibus ou pilotam aviões. elas são motoristas da perua que leva seu filho para escola, são as professoras dele, a diretora, a servente, são teóricas da educação, matemáticas, engenheiras, arquitetas ou trabalham no canteiro de obras do prédio que está subindo em frente da sua casa. elas são artistas, economistas, modelos de passarela, fotógrafas, designers da cadeira onde vc se senta todos os dias. são jovens, velhas, negras, brancas, indígenas, orientais. têm doutorado ou apenas o ensino fundamental. estão por toda parte. são 103,5 milhões só no Brasil. estatisticamente, são a maioria da população: 51,4%. muitas delas são escritoras. algumas talvez nem escrevam mais. outras escreverão apesar de tudo. poucas delas serão lidas, porque, por incrível que pareça, estando em toda parte, sequer sabemos onde estão e quem são.

 

 

 

 

 

 

 

 

M18M: Por quais mares já navegou? 

 

Ana Godoy: Pelos mares dos poetas e aventureiros, trago de lá lembranças de Jorge de Lima, Luís de Camões, Homero e Apolônio de Rodes.

  

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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