Mulheres da minha rua

 

cresci sobrevivendo

provavelmente enquanto os outros liam

eu queria estar comendo

via as mulheres da minha rua saírem cedo

do trabalho não tinham medo

voltavam ainda sem sacola

de bar

de voar

de nada

só no final do mês vem a esmola

 

cresci sabendo que não era assim

só pra mim

mas que também não era só isso

que tinha na cidade

existiam lugares onde tinha de tudo

principalmente

o que o tudo traz:

ego

vaidade

 

fui me esgueirando

planejando e mirando a força

das mulheres que eu vi vencer

não eram de clipes

nem da tv

eram guerreiras como eu e você.

 

foi suficiente

pra eu seguir no que me diziam

a frente.

dona lurdes

tia fátima

minha vó dione

mulheres negras, subentendidas

crescidas gigantes evoluídas

todas da minha rua.

segui em frente sabendo que de bens

nada possuía

mas que minha mente era crua

e dentro dela tudo podia.

 

de referência

a decência

daquelas que esperavam

sem chorar

a vida dar de si

e quem sabe alargar.

de mulheres gigantes

de seios milagrosos

que fizeram de nós,

crianças

dadas

por perdidas | sem futuro,

seres humanos honrosos.

 

 

 

 

 

M18M: Por quais mares já navegou? 

 

Macuxi: De 1990 a 2017 foram 27 anos de existência, até então. Escrevendo. Me chamaram fernanda, me apelidaram macuxi, curiosidade, riso e choro fácil. De alma: um caminhão. A escrita sempre foi o alívio e a crença no mundo bom. A vida seguiu, trabalho, amor e formação. Publicitária, plantas, sonhos - quase acredito - padrão. Não jantassem sempre esses sentimentos com a mente que fervilha, fazendo comunhão. Porto Alegre - Pelotas - Porto Alegre | mundo.

 

  

 

 

 

 

 

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