Não sou musa, sou poeta

 

 

Musas são diáfanas, acariciam como a seda,

Leves como uma pena ao vento

 

Eu carrego em mim o peso de um bloco de mármore,

e rasgo a carne como o ferro

 

Musas caminham nas pontas dos dedos,

Admiram Sade, Foucault e Loyola

 

Eu caminho coxa arrastando este fantasma,

Todos eles me estudaram e nunca me entenderam

 

Musas têm bundas, seios e sorrisos fáceis

Eu não tenho corpo, sou bela como um vulcão

 

Musas caminham de mãos dadas ao teu lado

E despertam a inveja dos teus amigos

 

Eu caminho sozinha, mesmo na multidão

Eu uso minhas mãos para tirar as pedras do caminho

 

Musas estudam arte, cinema, música e poema

Eu vomito palavras, erro os acentos e troco pronomes

 

Musas nasceram para serem amadas

e eu, poeta que sou, nasci para amar

Amar a ti, aos pássaros e o cão morto na esquina

 

 

 

 

 

 

 

 

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