Fazer a mochila e des(re)fazer casas

 

Para escrever estava nu como se não lhe

tivesse sido permitido levar nada consigo.

Nem mesmo a própria experiência (...) 

Clarice Lispector

 

 

Encontro-me em mudança e pense que fazer uma mudança é como brincar de experimentar espaços dentro de nós mesmos e ir aos poucos nos deslocando, recolocando... nos colocando no mundo...

 

Eu sinto que escrevo como ando e como bordo... se me apresso perco o ar e a linha embola... e cada vez que a linha embola sinto que é importante seguir, cortar, refazer, respirar, sentir o ponto e caminhar percebendo os passos e os ritmos que eles têm... sinto que é tempo de diminuir o peso da mochila que se leva na caminhada da vida, e carregar no coração uma boa dose de entusiasmo pelo novo e também ir se reinventando no conhecido, pois há no conhecido muitas nuances não experimentadas...

 

A Libélula azul voou e ficaram os casulos, e só voltando naquele rio onde ela apareceu para mim descobri que ela também tem sua marca no mundo... fincada na pedra e junto com ela um exército de libélulas...

 

Descobri que a libélula tem casulo-esqueleto... e ele é igual ao corpo que voa... pode ser ignorância minha mas não sabia disso... só depois que me permiti voltar a nadar naquele rio conhecido eu pude desvendar naquele lugar conhecido cantinhos não visitados... o caminho me traz imagens já vistas... e ao caminhar tenho as respostas, as imagens, as perguntas dentro do campo visitado... ele me é íntimo e estranho, a libélula voou e depois pude encontrar o seu esqueleto-fóssil-casulo... e mais uma vez a marca dela no mundo brincou comigo e me permitiu fotografar.

 

 

 

 

 

 

M18M: Por quais mares já navegou?

 

Ísis Farias: Por onde naveguei tem cheiro de floresta, tem cheiro de mar, de montanhas, de planícies, de países, de cidades e vilas; rios, diques, riachos e oceanos... Naveguei e navego por mares ora conhecidos e ora desconhecidos e nesses mares vou construindo embarcações e desvendando uma variedade de imensidões. E sempre, em alguma margem ou travessia, há um pedaço de mim lá...

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

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